segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dos selos de qualidade e as mulheres-fruta, por Gamila

Esse é um texto que realmente merece ser divulgado no meio BellyDancer!!! 
Escrito por Gamila (Cínthia Nepomuceno) - Professora do Curso de Licenciatura em Dança do Instituto Federal de Brasília (www.ifb.edu.br). Doutoranda em Arte da Universidade de Brasília, na linha de pesquisa Processos Composicionais para a Cena. Em seu mestrado abordou a dança do ventre, realizando pesquisa de campo nas cidades do Cairo e Alexandria - Egito. Cursou o bacharelado e a licenciatura em Dança na UNICAMP.



Nesse tempo que andei parada aqui, muita coisa aconteceu. Por isso mesmo escrevi tão pouco ou quase nada, limitando o blog a anúncios de nossas produções antigas e novas.

A experiência de dar aulas num curso de licenciatura em dança me fez perceber o quanto as pessoas que dançam andam desgostosas com o ato de dançar. Parece que falta um sentido maior para suas danças, um sentimento mais amplo de fazer arte! Com a galera da dança do ventre ocorre o mesmo.

Certo dia, uma das dançarinas que cursam a licenciatura veio me dizer o quanto andava frustrada com a dança do ventre... Coisa básica que nós que dançamos há mais de 10 anos conhecemos. Pois bem, perguntei algumas coisas e descobri que ela havia investido um bom dinheiro para se firmar na área. Fez aquelas provas para ganhar o selo de qualidade - como aqueles que vemos nas frutas de supermercado. (será que as mulheres frutas têm o tal selo? vou perguntar à mulher melancia!). Vai frequentemente a uma casa de dança se apresentar para ganhar a quantia exorbitante de cinquenta reais - isso mesmo: R$50,00. Vai de avião, é claro. Ou seja, paga para dançar. Acredita que com isso vai alcançar um patamar na profissão! Perguntei quanto ela havia ganhado de retorno ao tal investimento. Nada!

Minha querida dançarina percebeu que havia sido enganada. Ela se transformou na Mulher-Damasco! Na transposição das mulheres frutas brasileiras para o mundo árabe podemos inventar umas tantas mulheres-comidas (sem trocadilho), algumas das quais conheço bem: a mulher-tâmara, a mulher-pistache, a mulher-esfirra, a mulher-babaganuj... A mais famosa do momento é a mulher-kebaab, fica nas esquinas ou em botecos, espalhados mundo afora, ganhando uns trocadinhos para ser consumidas pelo público interessado!

Para os que criaram o tal selo entrego o prêmio máximo, criado pelo saudoso Abelardo Barbosa: o Troféu Abacaxi!

2 comentários:

Bety Damballah disse...

Éhhhh ... ha 5 anos bato nessa tecla e fui chamada de várias coisas que não vem ao caso .. mas uma coisa sou mesmo: LÚCIDA!!
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O povo da dança tem que se preocupar em se profissionalizar, isso sim traz reconhecimento.
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Lililililiiiiiiiiiiii

Unknown disse...

É verdade...esse lance é complicado...mas amei esse post da Gamila e resolvi divulgar tbm!!! Vale a pena pensar principalmente sobre a questão da bailarina q acaba pagando para dançar....