quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Benefícios da Dança do Ventre - Escrito por Luciaurea


Neurolinguística para quem trabalha com Dança do Ventre, Tribal e Dança Conceitual by Luciaurea
A Programação Neurolinguística é uma área de pesquisa que estuda o conjunto das experiências subjetivas que estruturam o comportamento humano e pode ser aplicada na Dança do Ventre.

Partindo dos processos neurológicos referentes aos cinco sentidos principais, utilizamo-nos de uma programação de linguagem, que aprendemos desde a infância, para organizar nossas experiências e nos comunicarmos, verbalmente ou não, com as outras pessoas.
Segundo Arline Davis, Master Trainer em PNL, podemos reprogramar as informações que nos favorecem menos. Podemos aprender a aprender, uma vez que o conjunto de nossas experiências de vida é codificado neurolinguisticamente, isto é, cada um de nossos sentidos possui um sistema de representação (ou linguagem) interna.
Por exemplo:
a) Informação visual → olhos → sistema representacional visual;
b) Informação auditiva → ouvidos → sistema representacional auditivo.
Imagine então, que ao invés de usar apenas a voz e o seu corpo, você pode se utilizar de desenhos, visualizações, e o que mais sua criatividade lhe inspirar para aprender ou facilitar o ensino da Dança do Ventre. E que, ao unir recursos didáticos que falem para todos os sistemas representacionais, você estará enriquecendo seu aprendizado em Dança Oriental, e atingindo um alto nível de informação.
Um Cérebro Fisicamente Simétrico e Funcionalmente Assimétrico
A seguir veremos uma tabela que demonstra claramente as funções de cada “modalidade” cerebral, com os respectivos exemplos no tocante à Dança do Ventre.
Como sabemos, o cérebro possui dois hemisférios (direito e esquerdo) unidos pelo corpo caloso (cuja função é a de viabilizar a comunicação entre os hemisférios, além da transmissão da memória e aprendizado).
Em função de uma característica anatômica, o hemisfério direito comanda o lado esquerdo do corpo e o hemisfério esquerdo comanda o lado direito do corpo, porque suas entradas e saídas se invertem.
Assim, colocando alguns exemplos de como algumas de nossas funções cerebrais estão envolvidas nos processos cognitivos relacionados à dança, foi possível organizar a tabela que se segue.
É necessário, todavia, acrescentar que essas funções são apenas formas paralelas e complementares de ler a realidade, logo, elas podem interagir. Por exemplo: se pensarmos em termos de percepção visual, veremos que lado direito do cérebro é muito bem versado, porém, mesmo a percepção visual é campo de ação do lado esquerdo. Enquanto que este vê o movimento escrito no exemplo visual, o outro lado enxerga o modo de fazer por trás da representação visual.

ESTRUTURAS PERCEPTIVAS DOS HEMISFÉRIOS
por Luciaurea
LADO ESQUERDO H.E.
LADO DIREITO H.D.
Verbal
Necessita de palavras para nomear e descrever passos e movimentos.
Não-verbal
Percebe o que é para ser feito a partir de uma relação mínima de palavras.
Analítico
Compreende os movimentos de forma seqüencial e por partes. Sua atenção converge para os detalhes. É ótimo nas coreografias.
Sintético
Compreende conjuntos de movimentos e sintetiza cada conjunto. Sua atenção é divergente, enxerga apenas o todo. É ótimo nas improvisações.
Abstrato
Para entender como funciona a leitura corporal de um instrumento, baseia-se na simplicidade da informação sobre aquele instrumento, resume suas características para poder representar no corpo uma leitura completa. Considera isoladamente os elementos da leitura corporal.
Analógico
Assimila rapidamente a semelhança entre os elementos da leitura corporal, estabelecendo relações por meio de metáforas, ligando instrumento, movimento e leitura. Considera comparativamente dois ou mais elementos do contexto. Assimila experiências concretas e vivenciais.
Temporal
Necessita contar quantas vezes deve fazer um passo, marcar o ritmo para conseguir acompanhá-lo. Primeiro realiza uma seqüência e depois a outra.
Atemporal
O tempo é sempre o agora, uma vez que não possui sentido de tempo. Segue fluindo com o que sente no momento da música.
Racional
Apreende as informações em aula racionalmente, baseadas nas demonstrações, no óbvio e na lógica. Ex: para se ter um bom efeito de shimmy nos quadris os joelhos precisam estar relaxados.
Não-racional
Assimila as informações por saltos imaginativos, sem se basear na razão para formar julgamentos. Ex: segue a música desenhando-a e tem vislumbres de movimentos. Dispensa julgamentos.
Lógico
Só entende uma interpretação se a mesma tiver uma ordem lógica, seguir um esquema de raciocínio. Não aceita padrões que estejam fora da ordem, da simetria e do sentido de ser. A interpretação precisa ter um sentido visível.
Intuitivo
Absorve uma interpretação por imagens visuais, sensações e saltos de reconhecimento. Mesmo que os padrões estejam incompletos e não haja quantidade suficiente de dados, ele compreende as entrelinhas da interpretação.
Digital
Precisa contar números para facilitar a aprendizagem, separando o espaço físico e o espaço de tempo em compartimentos (eixos, planos, 1234). Contabiliza.
Espacial
Compreende como as partes se unem dentro da aprendizagem e utiliza tudo o que estiver disponível para desfragmentar.
Incorpora.
Linear
A continuidade de uma idéia só é compreendida se causa e efeito estabelecerem vínculos. A explicação seguinte deve estar vinculada, à idéia apresentada na primeira, para se ter uma conclusão da coreografia.
Holístico
A continuidade de uma idéia é percebida em tempo real, vincula-se a padrões gerais, e as estruturas de movimentos podem fugir da conclusão coreográfica, levando à improvisação.
Simbólico
Prefere a utilização de símbolos, como letras, formas desenhadas e números, para conseguir representar o que lhe foi pedido. Precisa da representação do movimento no corpo de outra pessoa ou no papel para poder imitar. Copia e cola.
Concreto
Prefere vivenciar o movimento, mesmo sem entendê-lo totalmente. Assim que o experimenta compreende sua metáfora e o desenha. Atua por meio da compreensão cinestésica da realidade. Necessita criar uma referência própria para fazer um movimento. Observa e vivencia.
Auditivo
Extrai conclusões por meio associações auditivas. Só realiza se entender a explicação do como.
Visual
Extrai conclusões por meio de associações imaginativas. Visualiza, enxerga o conceito da forma no movimento apresentado.
Dirigido
Trabalha com objetos conhecidos para poder controlá-los e manipulá-los. Ex: quer coreografar ou adota um plano de intenções de acordo com os conhecimentos que adquiriu da música árabe e dos movimentos.
Livre
É criativo, trabalha com a essência das coisas. Ex: não teme a improvisação, arrisca mesmo quando não conhece a música, e conhecendo, escolhe por deixar a criatividade fluir no momento.
Proposicional
Propõe problemas, condições e apreciações. Ex: Dentro de uma elaboração coreográfica, determina que se deva respeitar os elementos musicais, como os floreios para a representação de temidos, ou passagens circulares para a realização de giros, ou que partes orquestradas pedem deslocamentos.
Imaginativo
Assume qualidades meditativas, criativas, inventivas. Ex: cria uma seqüência de passos inusitados de improviso, uma coreografia incomum (neste caso, interagindo com o lado proposicional na elaboração), ou ainda, cria um movimento novo, dentro ou fora dos padrões da Dança Oriental.
Objetivo
Prático e direto ao estabelecer metas, caminhos e exercícios. Expõe e verbaliza. Expressa o que o momento pede independente de seu estado de espírito. Segue as regras. Fundamenta a Tradição.
Subjetivo
É sutil e relativo ao expor uma questão – prefere contemplá-la. Sente e demonstra, se envolve com o momento e manifesta imersão. Cria novas maneiras de representar o velho – ou o abole. Fundamenta a Inovação.
Dominante
É imprescindível na tomada de decisões. Estabelece regras de composição.
Passivo
Aceita orientações. Flui dentro das regras, respeitando sua própria expressão.

* Shymmy: do inglês tremeluzir. Termo que define as “batidas de quadril na Dança do Ventre.

(O presente artigo foi retirado do livro METAFORMA E MOVIMENTO – Geometria Corporal Expressiva na Dança Oriental, de Simone Luciaurea. Um compêndio articulado, em cinco belos volumes, que reúne estudos da História da Dança do Ventre, Gestalt, Semiótica, Anatomia e Cinesiologia, Geometria Filosófica, Metafísica, Bioenergia, Psicologia Analítica, Psicologia Formativa, Linguagem do Corpo, Antiginástica, Neurolinguística e Reflexões. Um livro didático dedicado a aprendizes e professoras de Dança Oriental, Dança Conceitual, Estilo Tribal. Um livro recheado de estudos científicos que aborda dança, método, terapia e sagrado feminino).

Publicado originalmente em: Blog da Simone Luciaurea

Nenhum comentário: